Militares portugueses preparados para a missão no Líbano
Já se ouviam os tiros ainda não se via a tropa. Agachados a coberto das xaimites e do fumo das granadas os soldados avançavam com vagarosa coragem para a guerra.
A um a coragem, o fumo e o tanque juntos não chegaram. Tombou ferido na perna com uma bala terrorista disparada dos edificios devolutos e nem o tinoni da ambulância abafou os gritos de agonia.
Foi a única baixa, treatralizada, do exércicio de aprontamento para a missão no Líbano da Unidade de Engenharia 4 que decorreu ontem no Regimento de Infantaria 13, em Vila Real.
Daqui a um mês será a sério. Os 141 militares portugueses que partem para aquele país do Médio Oriente em conflito há mais de 30 anos.
“O Libano é um local em que a tensão é permanente”, disse o comandante da força, Tenente Coronel Alves Caetano. “Não podemos falar em receios mas estamos conscientes dos riscos que fazem parte da nossa profissão”.
Portugal está há ano e meio no território integrado na força multinacional da ONU, UNIFIL, com um batalhão de engenharia estacionado na aldeia de Shama no sul do país de onde se avista a cidade de Tiro e a fronteira com Israel.
Os 15 000 homens da UNIFIL estão autorizados a “tomar todas as medidas necessárias” para cumprir a missão de apoiar o exército Libanês a reestableecer a ordem no Sul do país, palco recorrente de confrontos entre as milicias do Hezebolah e o exército Israelita.
Apesar dos perigos, os portugueses ainda não dispararam um tiro. Mais do que deitarem abaixo com as armas, os Engenheiros-soldados foram para ajudar a levantar um país do chão.
No Líbano, já construiram escolas, campos de jogos e cemitérios. Neste momento, constoiem gabinetes e a alargam as fronteiras do quartel-general.
A obra têm lhes valido o acolhimento dos Libaneses. “Todas as acções são importantes para a segurança da própria força. Quanto mais bem-vinda for, muito mais segura estará a força”, disse o major-general Martins Ferreira.
Durante o treino, o novo batalhão construiu uma pequena aldeia com ligações subterrâneas entre edificios e uma estrada de 2.5km para blindados na Fraga de Almotolia,
nos arredores de Vila de Real.
No Líbano para além das construções os militares terão ainda como missão purificar a água, desactivar explosivos e apoiar organizações internacionais no terreno.
A lista não assusta. Nem mesmo os estreantes. Para mais de 70% dos membros do batalhão esta é a primeira missão no estrangeiro. Mas a confiança esconde o receio.
“Não tenho muitas preocupações”, disse o 1º Sargento Rodrigues Corinha. “Tivemos preparação e estamos devidamente esclarecidos sobre o que vamos enfrentar. Falamos com colegas nossos que estiveram em missões e estamos devidamente inteirados do que se vai passar”.
Já Gorette Assunção, 1º cabo socorrista, é mais avisada. Assunção é uma das 14 muheres na unidade e já passou pela Bósnia.
“Na Bósnia já estava tudo mais tranquilo”, disse. “Lá notava-se alguma tranquilidade até a nível da população. No Lìbano não tenho bem noção mas acho que seremos capazes de ultrapassar os problemas“.
Na visita ao destacamento nacional no Sul do Líbano, em Fevereiro, o Presidente da República, Cavaco Silva, disse aos mlitares que estão a prestar um grande serviço à causa da paz, prestigiando o nome de Portugal.
A UnEng4 recebe o estandarte nacional a 8 de Maio e o grosso do batalhão parte para o Líbano no final do mês. Permanecerão em missão até Outubro.
À partida para o Regimento de Infantaria 3 de Espinho, onde UnEng4 passará o próximo mês, o Tenente Coronel Alves Caetano disse: “Consideramos que a força está treinada, disciplinada e, apesar de um pouco cansada nesta altura, motivada”.
Já começou a contagem decrescente para o regresso…
Tokitae
May 31, 2008 at 4:29 pm