Corações ao rubro na bancada da Antena 1
Hugo Coelho
11.05
Quando são quase 18:30, os corações batem mais depressa na tribuna da Antena 1. Enquanto os técnicos ainda procuram a linha, Alexandre Afonso, 32 anos, relê num murmúrio final as palavras escritas. O sinal de OK e uma voz ao fundo nos headphones, dão o tiro de partida da reportagem para o bloco de notícias.
“Estamos no Estádio da Luz para acompanhar o jogo entre o Benfica e o VilaReal da quarta jornada da Liga dos Campeões” ouve-se a voz do relator nos rádios por todo o país.
“Os encarnados procuram hoje aqui na Luz levar de vencida o apelidado submarino amarelo e assim dar um passo de gigante em direcção aos oitavos de final da Liga Milionária. 50 000 são esperados na luz. 50000 com a esperança de verem o submarino ir ao fundo.” O jornalista fala em passo acelerado, gesticulando e franzindo o rosto como se esparasse ser mais convincente. Depressa o papel acaba e a improvisação toma o seu lugar.
O jogo
Às 7:45 o árbitro apita, os jornalistas estão a postos, o espectáculo começa. Alexandre Afonso e Paulo Garcia são os relatores de serviço. Gonçalo Ventura é o repórter, Joaquim Rita o comentador. Esta é a equipa da Antena 1. Alexandre encarrega-se dos ataques do VilaReal, Paulo segue os do Benfica. Os dois vão passando a bola entre si. Gonçalo, intervém a espaços. De os olhos sobre o campo, dá nota das movimentações dos treinadores e complementa o relato. Entre os três a palavra flui rápida e cheia de emoção. O discurso tem vida. Mas tudo isto muda quando chega a Joaquim Rita. Ao comentador cabe por ordem no jogo, e explicar calmamente aquilo que não perpassa à vista ou ouvido comprometidos. O público tem a dizer uma palavra de fundo, através de um microfone estrategicamente colocado na grade e apontado para as bancadas.
Nos momentos altos o tom de voz e a expectativa sobem. A dez minutos do fim, o primeiro golo para o submarino amarelo. Na tribuna ouve-se um goooole de sotaque espanhol. Nuestros hermanos, perpetuam o grito, enquanto os jogadores do Benfica, no relvado de mãos na cintura, vêem o festejo dos adversários. Até final nada se altera.
Mal o árbitro apita, Gonçalo Ventura parte rápido para a sala de imprensa. “A rádio vive do som e esse som só vêm de um bom lugar”. Aí a disciplina prima, mas o contrário passa-se na chamada “zona mista”. Este é local de encontro de jornalistas e jogadores, entre o balneário e a saída do estádio. Os repórteres, com cameras, microfones ou blocos de notas, acotovelam-se civilizadamente tentado ganhar o melhor lugar para ouvirem a declaração. A confusão acaba por dar lugar a um acordo. Radio e TV ficam com os lugares da frente, a imprensa fica na retaguarda. No final, um briefing dará a todos a notícia procurada.
Passados a maioria dos jogadores falta ainda Simão Sabrosa. Um responsável do clube garante que o jogador levará 40 minutos a sair. A desilusão é geral. Estão todos a trabalhar hà mais de três horas, querem ir-se embora. “Vamos embora, ele não vai dizer nada de novo. Mas vamos todos…” adverte um dos jornalistas da imprensa para desencorajar algum que pensasse esperar para conseguir o desejado furo.
Depois de hesitarem na esperança de que o jogador aparecesse, decidem sair. A algazarra é agora grande. Os mais mediáticos misturam-se com outras tantas caras desconhceidas. As manchetes do dia são o tema de conversa em todas as bocas…
