Isto é a magia da rádio
Hugo Coelho
11.05
Gonçalo Ventura, 27 anos tem pela frente uma missão de responsabilidade: este fim de tarde, é pela sua voz que as manobras dos jogadores do Benfica e do Vila real, em campo no Estádio do Estádio da Luz, em Lisboa, vão chegar aos ouvintes da Antena 1.
Antes do início da partida, deambula pela tribuna de imprensa, procura junto de outros jornalistas as últimas. As últimas que Alexandre Afonso, o relator, diz ao microfone e ecoam por todo os rádios do país.
“Normalmente, o meu trabalho é lá em baixo no relvado, mas nos jogos da UEFA isso não é permitido. Hoje, vou andar com um posto móvel às costas para fazer reportagem ao lado dos relatores. A única reportagem que faço, é aqui em cima, na bancada” confessa, irónico.
Quando as equipas sobem ao relvado para o aquecimento, ele é o primeiro a dar o grito de alarme. “O Benfica está a aquecer com onze jogadores de campo. O Simão ainda não sabe se vai jogar…”. Em segundos, Alexandre Afonso está a falar para o microfones.
“Isto é que é a magia da rádio. É instantânea. A nossa voz pode, num segundo, informar o mundo”. A paixão pela rádio revelou-se bem cedo. Quando tinha 15 anos iniciou-se em rádios locais, de Borba e Vila Viçosa. “Essa experiência precoce veio a revelar-se muito importante para mim quando chegou a altura de procurar emprego” confessa. Em Lisboa, na Universidade Lusíada, foi director da rádio da universidade mas quando terminou o curso foi trabalhar para a Sic. Aí tomou parte no projecto da Sic Online.
“Já passei por todos os tipos de media e isso só me ajudou a decidir o que quero mesmo fazer. Prefiro a rádio, especialmente o jornalismo desportivo. O jornalista de rádio tem um poder único de criar imagens que aparecem na cabeça das pessoas quando nos ouvem. Isso é muito mais intenso num jogo de futebol onde a emoção está ao máximo”.
Em 2001, veio para a secção de desporto da Antena 1. “Aqui sinto o peso do microfone que transmite para milhões de pessoas. O meu primeiro directo foi um Belenenses-Marítimo. Tremia por todos os lados. Foi também nesse ano que fiz o primeiro relato e a primeira vez que gritei goooolo. O marcador foi o Hélio, na altura médio do Vitória de Setúbal. Mas eu não sou um relator. Um relator é um predestinado. Descreve em segundos o que outros fazem em minutos. É por isso que é tão difícil cá chegar, é necessário muita dedicação e devoção” diz,rindo-se.
Gonçalo é o exemplo de uma nova geração de repórteres desportivos de rádio. Com ela tem mudado a forma de fazer rádio e de relatar os jogos. “Uma coisa que fazemos diferente tem a ver com a linguagem. Fugimos ao futebolês que durante tanto tempo foi moda.”
Mas isso não tira emoção ao relato? “Não. A linguagem não deixou de ser viva e metafórica por isso. A emoção é o principal num relato. Quem a perder não vai nunca saber relatar”